FRENTES DE LUTA

SANEAMENTO BÁSICO

Para pensar em saneamento é necessário ir um tanto além da definição oficial. Para além do “conjunto de serviços, infraestruturas e instalações de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem de águas pluviais urbanas”, saneamento é saúde, é moradia e transporte dignos, é uma cidade com qualidade do ar aceitável e também é em trabalhos que permitam o descanso e o lazer.

Mas é preciso começar pelo básico.

E o básico ainda falta na cidade de São Paulo. Sobretudo, nos territórios periféricos.

De acordo com os dados oficiais do Sistema Nacional de de Informações sobre Saneamento (SNIS) – ano base 2018- 99,3% da população apresenta abastecimento de água potável, ocupando a 16º posição no ranking nacional. Com uma perda média de 35,4% da água e com apenas 64,66% dos esgotos sendo tratados, a cidade ainda tem um longo caminho a percorrer para atingir toda apopulação, melhorar a qualidade da água fornecida e garantir que o acesso às torneiras seja constante.

A luta pelo saneamento básico expandido em todo o Brasil é antiga: do engenheiro André Rebouças (1838-1898) até o médico sanitarista Sérgio Arouca (1941-2003) movimentos organizados sempre buscaram projetos que garantissem a boa saúde da população e uma cidade onde a vida pudesse ser mais digna, com água limpa e esgoto tratado para todos.

Sobre isso, aliás, não faltam estudos que mostram a correlação entre o saneamento, a dinâmica da cidade (transporte, qualidade dos empregos, opções de lazer, preservação ambiental) e o adoecimento da população: neste sentido, entendemos que o saneamento básico é o alicerce do Sistema Universal de Saúde (SUS), o tornando, inclusive, mais sustentável. Portanto, saneamento é, sobretudo, uma noção ampliada de saúde e qualidade de vida, a chamada Saúde Coletiva.

Tais movimentos sempre se depararam com dilemas que não eram técnicos, mas políticos. Essa é uma questão histórica que se arrasta desde o surgimento da nossa metrópole, mas que no século XXI pode contar com novos aliados para sua resolução: as tecnologias avançadas desenvolvidas nos últimos anos já permitem que esses antigos problemas tenham novas soluções. E isso seria possível principalmente em parceria com as instituições públicas de pesquisa que no Brasil seguem produzindo projetos eficientes para nossas águas e energias renováveis, apesar da falta de incentivo que enfrentam.

A aplicação de projetos desenvolvidos na e para a cidade de São Paulo possibilitam, ainda, maior autonomia e desenvolvimento tecnológico.

O saneamento é, portanto, uma luta amplamente conectada e de potência transformadora profunda. Uma batalha que vale a pena e na qual esperamos contar com vários apoios e vozes.

Neudes Carvalho. ©2020. Todos os Direitos Reservados. CNPJ – 39.110.651/0001-70

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